A inflação fechou em 4,26% no ano de 2025, abaixo do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CNM) em 3%, com margem de 1,5 pontos percentuais para cima e para baixo. Essa é a primeira vez que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fica dentro deste intervalo no acumulado fechado de um ano desde 2019, quando ficou em 4,31%, sendo também a primeira vez dentro do atual governo Lula que esse número é registrado. As informações são do jornal O Globo.
O resultado, divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira, representa um alívio para o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, que não precisará redigir a carta para justificar inflação fora da meta, documento que ele já escreveu duas vezes desde o início de seu mandato, no início deste ano.
Economistas acreditam que a elevação da taxa básica de juros, a Selic, pelo Comitê de Política Monetária do BC (Copom), que chegou a 15% ao ano, maior nível desde 2006, foi essencial para que a inflação chegasse ao fim do ano abaixo dos 4,5%. Com isso, analistas já veem probabilidade do ciclo de cortes de juros ter início em 2026.
O número veio levemente abaixo das expectativas dos analistas de mercado ouvidos pela Bloomberg, que projetavam alta de 4,27% no acumulado do ano. Em 2024, o IPCA fechou em 4,83%.
“Esse é o quinto menor resultado da série desde o plano Real, ou seja, nos últimos 31 anos. Antes dele, temos 1998 (1,65%), 2017 (2,95%), 2006 (3,14%) e 2018 (3,75%)”, destacou Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa.
Embora a inflação dos alimentos tenha acelerado na variação mensal de dezembro, as quedas nos preços registradas ao longo do ano foram essenciais para que o índice ficasse dentro do teto da meta em 2025. O grupo — que representa o maior peso do índice — desacelerou na comparação do resultado de 7,69% em 2024 para 2,95% em 2025, com destaque para a alimentação no domicílio, que passou de 8,23% para 1,43%.
Por seis meses seguidos (de junho a novembro), a alimentação no domicílio registrou quedas nos preços, acumulando recuo de 2,69%. O movimento bom dos alimentos em 2025, segundo Gonçalves, foi impulsionado por uma maior oferta de produtos, diante de fatores como safras favoráveis, condições climáticas positivas, além de um câmbio controlado.
Os principais alimentos com quedas nos preços foram o arroz, que teve recuo de 26,56% em 2025, e o leite longa-vida, que saiu de uma alta de 18,83% em 2024 para uma queda de 12,87% em 2025.
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Por outro lado, a maior pressão na variação anual veio do grupo habitação. Dentro desse grupo está a energia elétrica, que exerceu o maior impacto individual positivo sobre a inflação de 2025, acumulando alta de 12,31% no ano. Segundo Gonçalves, essa alta foi impulsionada por reajustes, além de uma maior prevalência de bandeiras tarifárias amarelas e vermelhas pesando a conta dos consumidores.
Também tiveram altas importantes os cursos regulares, os planos de saúde, o aluguel residencial e o lanche.
Especialistas ressalvam que, a despeito do alívio na inflação no ano de 2025, o Banco Central ainda deve se manter atento, já que, no agregado, os serviços aceleraram de 4,78% em 2024 para 6,01% no ano, ainda sustentados por um mercado de trabalho aquecido.
“A tendência é que o controle da inflação continue sendo uma tarefa difícil nos próximos meses, uma vez que o desemprego deve permanecer em níveis historicamente baixos até 2027”, disse Heliezer Jacob, economista do C6 Bank, em comentário.
Na variação mensal, o IPCA acelerou para 0,33%, em linha com as estimativas dos analistas, após registrar 0,18% em novembro. Esse foi o melhor resultado para um mês de dezembro desde 2018, quando foi de 15%.