Estamos vencendo o anarquismo dos patrões às avessas…
O tempo é o senhor justo da razão. É aquele que mostra aos cegos no castelo a verdade dos fatos, doa a quem doer.
Um desses fatos tem a ver com o golpe impetrado contra a ex-presidenta da república, Dilma Rousseff, que escancarou aos golpista as portas das trevas para todo tipo de medida contra os brasileiros.
E a (des)reforma trabalhista foi o pior dos golpes, a punhalada nas costas de todos os trabalhadores, de norte a sul do Brasil.
O ex-presidente da carta – o pai do golpe, Michel Temer – foi o articulador da manobra. Com a proposta de melhorar processos trabalhistas e incrementar a economia, mergulhou o país numa crise econômica que perdura até hoje.
O outro ex-presidente, de triste memória, todavia agiu como capataz, inquisitor, negacionista do movimento sindical. Em todo período só ultrajou nosso trabalho e nos sabotou junto ao empresariado.
O resultado desta crise institucional abriu espaço, um buraco nas trevas, para o que podemos batizar de “anarquismo às avessas”, não por parte da sociedade civil revoltada, mas dos patrões reacionários que passaram a tomar decisões à revelia.
Se durante o mandato do ex-presidente negacionista, o movimento sindical encontrou todos tipos de obstáculos para avançar nas negociações. Com o sumiço do meliante do poder, as entidades precisam definir estratégias para vencer esses patrões “anarquistas”.
Com um discurso esfarrapado de crise, de ideologia, de nós contra eles, passaram simplesmente a descumprir leis e acordos, tendo como pano de fundo a exploração criminosa dos trabalhadores, que na luta pela sobrevivência e alheios aos processos, aceitaram.
Fora a luta permanente para garantir direitos, conquistas e avanços aos nossos representados, o movimento sindical também precisou atuar nas bases para combater as precarizações laborais nos ambientes de trabalho. Combater este modus operandi exigiu muito trabalho, esforço e mobilização das entidades em portas de empresas.
Aos poucos, estamos reequilibrando os processos e restabelecendo um diálogo propositivo entre patrões e representantes sindicais, observando a necessidade de cumprir com acordos, respeitar trabalhadores, que serão necessários para o desenvolvimento econômico sustentável.
E os patrões, de forma gradativa, também enxergam que aqueles “alucinados da república” não tinham compromisso com nada e ninguém, apenas e tão somente pelo poder. Vejam a tentativa de golpe com invasão ao Congresso Nacional, e recentemente usando do apoio de outro lunático para fugir da cadeia.
Muitos se viraram contra nós. Outros tantos jogaram suas virtudes na sarjeta dos golpistas. Contudo, foi o movimento sindical – que sobrevivente ao golpe, a tentativa de extermínio por parte da turma “ da pátria verde e amarela”, “ da família”, e “da direita” – que se manteve de pé e com unidade, organização e poder de luta vem resgatando as conquistas dos trabalhadores brasileiros.
Até os anarquistas de plantão, que usaram do contexto para tirar vantagem, estão se curvando aos fatos. Viva nossa luta pela representação histórica por justiça, igualdade e bem-estar social.
Roberto Scalize
Presidente do SINTRALAV
Secretário-Geral da FETHESP
Vice-presidente da CSB